Efeito Enem faz disparar abstenção em vestibulares pelo país

23 12 2009

Um efeito cascata provocado pelo Enem fez disparar o número de ausentes nos vestibulares da UFSCar e da Unifesp. Alunos que faltaram ou foram mal no exame nacional desistiram de fazer as provas das duas universidades, realizadas nas semanas seguintes.

O desinteresse se explica: o Enem tem grande peso no processo seletivo das duas federais. Em sete cursos da Unifesp –que estão entre os mais concorridos-, o exame vale um terço da nota final; nos outros, é a única forma de seleção. Na federal de São Carlos, o exame nacional vale metade da nota do vestibular.

Assim, um mau desempenho ou a ausência no Enem –que teve quase 40% de abstenção, recorde histórico– torna a aprovação nesses vestibulares praticamente impossível. O resultado: os vestibulares ficaram esvaziados como nunca.

Na federal de São Carlos, faltaram ao vestibular 20,2% dos candidatos no segundo dia de provas. Em anos anteriores, esse índice nunca superou 12%.

Já na Unifesp, faltaram ao segundo dia, na última sexta, 21,5% dos candidatos, contra 15,6% em 2008.
O efeito Enem é claro quando comparado às ausências em outros vestibulares -provas antes do Enem tiveram baixo índice de abstenção. Na primeira fase da Unesp, por exemplo, só 6,6% dos alunos faltaram. Outro fator é que, na Unesp, o Enem vale só 10% da nota.

As universidades admitem a participação do Enem nos recordes de abstenção. “Acredito que estejamos colhendo a repercussão do altíssimo índice de abstenção do Enem”, disse Miguel Jorge, pró-reitor de graduação da Unifesp.

Por trás dessa abstenção no Enem, diz Jorge, podem estar o adiamento do exame –de outubro para dezembro, em razão de a prova ter sido furtada– e a consequente decisão de USP e Unicamp –dois dos vestibulares mais importantes e disputados do país– de não considerarem mais o Enem na nota.

Vitor Sordi, pró-reitor adjunto de graduação da UFSCar, tem argumentos semelhantes. Ele acrescenta ainda que o adiamento do Enem para dezembro contribuiu para que muitos vestibulares ocorressem em sequência –o que elevaria o número de faltantes.

Na federal de São Carlos, uma das que faltaram foi Juliana Santos, 22. Ela deixou em branco 35 das 180 questões do Enem e, por isso, desistiu de prestar vestibular para engenharia elétrica na instituição.

“Eu achei o Enem de um nível até baixo, só que havia muitas questões para fazer em pouco tempo. Como o meu desempenho no Enem não seria suficiente para passar na UFSCar, faltei [nos dias do vestibular].” Agora, Juliana tenta passar em engenharia elétrica na Fuvest -ela está na segunda fase.

Repetição

O fenômeno também se repetiu em ao menos outra federal em que o Enem tem parcela importante na nota final.

Na Furg (RS), o último dia de provas, no dia 14, teve 15% de ausentes. Em 2008, foram 10%. A exemplo da Unifesp e da UFSCar, o vestibular ocorreu após o Enem. O desempenho no exame vale metade da nota.

Fonte: Folha Online


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